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TEMÁTICA DO BLOG

NOTÍCIA E OPINIÃO

Este blog trata de assuntos variados. Destacam-se os temas políticos, ideológicos, morais, sociais, e econômicos.

07 Abril 2009

CURTAS


Nota I

Esses dias o presidente norte-americano, Barak Obama, defendeu a entrada da Turquia na União Européia. O país que já participa da OTAN, tendo o segundo maior efetivo militar dessa organização, interessa muito aos EUA, na medida que é um ponto estratégico para manutenção da influência do país no Oeriente Médio e nos países da ex-URSS. O problema, meus amigos, é que ao defender a entrada da Turquia na União Européia, Obama fala como não partícipe da organização. O que ele quer mesmo é fazer um agrado ao seu aliado (Turquia), com o bolso dos seus subordinados (União Européia).


Nota II



Para quem prometia na campanha eleitoral que tiraria as suas tropas dos países invadidos, agora segue no caminho contrário. Em reunião de cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Obama pediu novas tropas no Afeganistão, e ainda conseguiu 100 milhões de dólares para manter a ocupação. Em tempos de crise, Obama está mesmo surpreendendo, conseguindo carne e dinheiro na Europa, enquanto economiza os seus. Se bem (ou mal), que nem isso podemos dizer, pois Obama planeja enviar mais 21 mil soldados ao país da papoula...

28 Março 2009

Na marola da crise, as mazelas do "politicamente correto" nada a braçadas


Como eu já dizia em outros posts, se alguém dependesse da imbecilidade nata do Molusco socialista rosa para viver, viveria muito bem. Afinal, a cada três vezes que ele abre a boca, duas frases de Cala-boca-Magda são emitidas.
A última façanha ocorreu na visita do primeiro-ministro britânico, Gordon Brown. O Molusco 4-dedos afirmou em discurso a respeito da crise econômica que a “crise foi causada por comportamentos irracionais de gente branca de olhos azuis, que antes pareciam saber de tudo, e, agora, demonstram não saber de nada”.
Podem até discutir se havia dolo racista ou não do nosso presidente social-pink, mas o fato é que a frase é claramente racista. Objetivamente – como seria a interpretação em outros casos – ele cometeu um erro gravíssimo. Se fosse emitida por qualquer outra pessoa, trocando o loiro de olhos azuis pelo crioulo de cabelo pixaim, daria bons processos judiciais e uma comoção na mídia e na opinião pública. O simples fato de haver permissividade com declarações infelizes contra brancos é um óbvio sintoma de uma doença grave que padece nossa sociedade. Aqui, no Brasil, e também mundo a fora, o politicamente correto está criando a idéia de que é permitido desmoralizar o homem branco historicamente, fisicamente, moralmente, enfim, de todas as formas possíveis, e quando o mesmo é feito por analogia aos outros povos, a mesma permissividade não se aplica no reverso da moeda. Nestes casos, a draconiana crítica é gritada ao vento, e a lei cospe suas amarras. Ora, não precisa ter mais de dois neurônios para perceber que há alguma coisa errada nisso tudo. A moral do "politicamente correto" está cada vez mais ousada, e as pessoas, com tanto acesso à informação, perderam por completo o senso crítico.
A mídia, geralmente complacente nas primeiras imbecilidades dele - complacência semelhante à de um adulto frente aos enganos de uma criança – agora parece começar a reagir como faria com qualquer outro presideco. Vi que a Globo apresentou uma reportagem mostrando que grandes financistas que, provavelmente estiveram envolvidos na crise, são de fato, NEGROS! Nada parecido com o estereótipo preconceituoso e injusto do nosso desinformado e eu diria, doloso presidente. Agora vejam: o presidente que já governa declaradamente para os pobres, e atura os ricos, agora também parece governar para as minorias (querem que acreditemos que são minorias apesar de nossos sentidos dizerem o contrário, negros, pardos e indígenas são maioria nesse país, minorias absolutas são os brancos). Ele parece ter simpatia pelo pobre e preto; algo inadmissível em uma nação que é formada por tantos povos, tendo os brancos, produzido e contribuído tanto para a grandeza do país. É cuspir no prato que se come. Mas esperar o quê? Trata-se de um socialista desbotado, que guarda todos os defeitos da esquerda à direita. O projeto Brasil do PT é esse aí, e o pior é ver o branco e rico chorar com o “nunca na história desse país”.
O constrangimento da impressa inglesa foi percebida. A diferença, senhores, é que se fosse numa hipótese contrária imaginária, onde o primeiro-ministro dissesse que eram negros, indígenas, e sei mais lá qual raça, a culpada por alguma coisa ruim, a imprensa não ficaria constrangida como ficou, ficaria é revoltada. Haveria críticas e mais críticas, renderia pano para manga. Um furor seria instalado, e chamariam desde um antropólogo até a um artista para emitirem pareceres de recriminação.
Mas como eu ia dizendo, o politicamente correto é cada vez mais troglodita, e o mundo da informação abundante é a terreno fértil para toda noção crítica mitigada. E na tal "marola" da crise, as mazelas do "politicamente correto" nada de braçadas.

14 Março 2009

Notícia interessante

Desempregados são alvo de games online


Empresas asiáticas de jogos online acreditam que a crise resultará na expansão dos seus negócios.A opinião dessas companhias se baseia na tendência de pessoas desempregadas procurarem algo com o que se entreter no tempo livre e que não lhes custe muito dinheiro.Os jogos baseados em web, que permitem a milhares de internautas competirem simultaneamente, dominam o mercado de videogames da China, da Coréia do Sul e de outras partes da Ásia.Blockbusters como “World of Warcraft (WOW)”, da Blizzard Entertainment, unidade da francesa Vivendi, e a série “Lineage”, da sul-coreana NCSoft, já atraíram milhões de jogadores no mundo todo.Analistas estimam que o mercado de games online equivale a uma quinta parte do mercado de games para console. Esse segmento que se beneficia da internet movimentará 19 bilhões de dólares em 2013, de acordo com a DFC Intelligence.O fácil acesso à banda larga e a “cultura dos games” que ganhou força em cyber cafés ajudaram o segmento de jogos online a conquistar inúmeros adeptos na Ásia.Na América do Norte e na Europa, entretanto, games baseados na internet não chegaram nem aos pés do sucesso observado no oriente, principalmente por causa da menor penetração da banda larga e das diferenças culturais.Agora, a turbulência financeira pode fazer o que anos de investimentos em marketing não alcançou, segundo desenvolvedores e publicitários.“Durante épocas difíceis, as pessoas exigem o máximo de retorno de cada centavo que gastam. Os jogos online permitem que os internautas se divirtam e esqueçam da realidade pelo tempo que quiserem e não cobra por isso”, explicou Lan Hoang, CEO da Aeria Games & Entertainment, que distribui jogos de empresas asiáticas nos EUA e na Europa.

Fonte: Abril

08 Março 2009

Uns e outros.

Projeto do estádio do Tricolor em Porto Alegre-RS
Projeto do estádio do Coxa em Curitiba-PR
Em meio a toda a tendência de que dinheiro do contribuinte vá parar nos estádios novinhos em folha para a Copa do Mundo, alguns clubes parecem respeitar o dinheiro público e montaram comissões para capitalizar recursos privados. É o caso, por exemplo, do Coritiba e do Grêmio. Ambos clubes anunciaram a construção em breve dos seus estádios. O grêmio prevê para o novo estádio um custo de cerca de 270 milhões de reais, valor semelhante ao previsto para o novo Couto Pereira em Curitiba. Os projetos prevêem uma auto-suficiência do estádios, e uma adequação coerente na equação conforto, utilidade, e tamanho. A multi-funcionalidade parece ser a palavra-chave quando se trata de projetos como esse.
No Pan do Rio, todos vimos o dinheiro do contribuinte indo pelo ralo com obras que foram pouco aproveitadas. Vamos ver se o governo central de Brasília toma juízo e só permita que cidades com potencial privado possam sediar, porque caso cidades sem a capacidade de atrair investimentos do setor privado ganhem, será muito provável que o dinnheiro do contribuinte caia no colo de burocratas prontos a construirem esses elefantes brancos ao redor de áreas carentes.
Imagens do estádio Fonte Nova em Salvador-Bahia
Imagens da Fonte Nova em Salvador-Bahia

16 Fevereiro 2009

HISTORINHA PARA BOI DORMIR E O EFEITO BORBOLETA

Vocês devem ter visto nos noticiários o caso da guria nordestina que alegou ter sido torturada por neo-nazistas. Muito bem, por estes dias, a polícia suíça cogitou a hipótese dela ter se cortado e inventado toda a história. Eu, pessoalmente, desde o começo já acreditava nisso. Não imagino que neo-nazistas iriam marcar o corpo dela com a sigla de um partido, mesmo porque, isso atrairia a fúria da sociedade local para esse partido. Quanto à guria, especulando sem compromisso com a verdade, creio que ela sofreu uma daquelas crises que só as mulheres têm. E vejam, não disse doença, disse crise mesmo. Acho que ela queria muito ter um filho com o marido. Provavelmente ela teve alguns dias de atraso na menstruação e na ansiedade pelo fato consumado, resolveu por dar publicidade para o marido e a família. Descobrindo que não houvera gravidez alguma, apesar de já se sentir grávida, ela decide manter, ou não consegue desmentir, quiçá por vergonha. Em uma conversa com a mãe, possivelmente falando da gravidez que ela de antemão está consciente de não existir, é o estopim para ela tentar resolver a questão sem ofender o seu ego ou passar vergonha. Ela finge um ataque, corre ao banheiro, se auto-mutila em uma ato de desespero, arrependimento e vergonha de si mesma. Quando liga para o noivo, ela precisa ter uma justificativa para a situação, é quando surge a idéia de associar neo-nazistas que ela deve ter visto notícias na TV, o partido de ultra-direita da suíça que acabara de ganhar as eleições, e a condição dela própria de imigrante e “grávida”. Solução consumada, cai na mídia a notícia, agora ela vê que está em um mato sem cachorro. Percebe que a história tomou proporções ainda maiores do que ela imaginava em seu primário devaneio feminino. Agora ela resiste e sustenta a mentira com mais vigor porque sabe que antes ela passaria vergonha entre familiares e talvez amigos, mas agora ela passará para todo planeta. A vida familiar, profissional, etc; estará terrivelmente comprometida. Sustentar essa história é o que resta a ela... E indo mais longe: Onde estão as filmagens da estação na qual ela desceu? Ora, é de se imaginar que tenha sido filmada parte da ação ou a entrada e saída de indivíduos. Outra, onde estão os exames pré-natais da guria? E para comprovar o aborto um exame posterior deve ter sido feito, qual o resultado dele?
E quanto a fanfarra midiática quando do exame psiquiátrico~, digo que somente a sanidade corroborada por psiquiatra não impede uma atitude, digamos, imoral e inconsequente. Em outras palavras, inconsequência está presente até mesmo entre pessoas consideradas, sãs!
Vamos acompanhar para ver se estou certo ou não.
Só para finalizar, será que ela e/ou a mídia vão pedir desculpas públicas ao partido de ultra-direita suíço pelas ofensas imputadas? kkkkkkkkkkkk Imagino que não, mas uma coisa é certa, essa guria imigrante, com esta atitude, aumenta ainda mais o repúdio dos suíços aos imigrantes. Efeito borboleta a vista!

11 Fevereiro 2009

OS NAZIS DE ISRAEL ESTÃO EUFÓRICOS!

Israel ataca criminosamente os territórios palestinos, justificando que os palestinos atacavam Israel com mísseis. O problema é que um erro não justifica o outro. Pelo visto os judeus aprenderam muito bem com os seus carrascos nazis; deve ser alguma síndrome semelhante à de Estocolmo.
Não se pode atacar um território que não é seu sem autorização da ONU, senão para que ela serve? Na verdade ela não presta para mais nada; o oriental da ONU faz o mesmo papel do Papa no Vaticano, só pedindo, pedindo, e pedindo.
Mas o que me chamou a atenção foi a imparcialidade de Obama. Em outras circunstâncias a imparcialidade é qualidade, mas quando ela vem em plena ofensiva de uma parte, deixa de ser salomônica e passa a ser diabolicamente tendenciosa! Mas não há razão para surpresa, antes mesmo de ganhar as eleições ele fez questão de mostrar de que lado está. Lembro-me que na campanha eleitoral, ele discursou diversas vezes para a comunidade judaica dos EUA, e em todos eles ele reforçou o compromisso de apoio a Israel; e em momento nenhum apoiou a criação do Estado Palestino conforme prevê a resolução que da ONU. Aliás, o Estado Palestino não existe porque os EUA, tendo poder de veto, impede a sua criação. Detalhe: Somente Israel e EUA votam contra a criação do Estado Palestino.
Novamente não há porque se surpreender, os israelenses não querem entregar metade do seu território para a criação de um Estado Palestino, previsto pela ONU ainda na década de 40 do século passado. Isso significaria perder muito território que hoje é dos judeus; mas os palestinos podem ficar espremidos por lá.
Os EUA que vivem a dizer que defendem a única democracia da região, parecem se esquecer que esse argumento é inválido se temos outras democracia na região sim. É só olhar direito para o cenário político do Oriente Médio e arredores. Isso tudo é eufemismo para dizer que a influência política dos judeus dentro dos EUA é fortíssima, e se estabelece já nos fundos de campanha. O Congresso dos EUA tem uma desproporcionalidade de judeus nele, e é só dar uma olhada nos quadros da Casa Branca para entender porque os EUA têm esta postura profundamente alinhada com os interesses de Israel.
Aqui no Brasil, os evangélicos que ocupam cargo de poder, sempre puxam a sardinha para a brasa deles; vocês acham mesmo que os judeus não fazem o mesmo? Claro que fazem; e digo que até eu faria para os meus.

03 Fevereiro 2009

OBAMAFILIA “NA FITA MANO”

Vocês devem ter visto nos noticiários que Obama fez o mesmo caminho percorrido por Abraham Lincoln e utilizou a imagem dele por diversas vezes. Bom, lembro-me bem do tipo de gente que traz para si o pano de fundo de outros. Era muito comum nas dinastias faraônicas; nas ditaduras comunistas; no absolutismo de 200 anos atrás; entre outros...

28 Janeiro 2009

MORALES NA BOLÍVIA; OBAMA NOS Estados Latinos da América do Norte (ELAN)

Não agüentei, de férias, mas vamos dar um pitaco de leve:

Enquanto nos EUA todo tipo de suvenir com a estampa do presidente da Obamafilia faz sucesso; na Bolívia, um boneco do mastigador de coca (Evo Morales), segurando crianças é vendido aos montes. O jornal informa que os bolivianos usam a imagem como símbolo do “bom pai”. E não é sarro não! Os indígenas lá, já alçaram o mastigador de coca ao posto de Deus da paternidade. Qualquer semelhança com os regimes soviéticos, chineses, coreanos, e cubanos, não é mera coincidência!

05 Janeiro 2009

FÉRIAS: ATUALIZAÇÕES EM FEVEREIRO - ATÉ LÁ...


07 Dezembro 2008

Reportagem da VEJA

Prontos para o século XIX

Muitos professores e seus compêndios enxergam o mundo
de hoje como ele era no tempo dos tílburis. Com a justificativa
de "incentivar a cidadania", incutem ideologias anacrônicas
e preconceitos esquerdistas nos alunos


Tema para reflexão: vale a pena usar chocadeiras artificiais para acelerar a produção de frango? Deu-se com isso o início de uma das aulas de geografia no Colégio Ateneu Salesiano Dom Bosco, de Goiânia, escola particular que aparece entre as melhores do país em rankings oficiais. Da platéia, formada por alunos às vésperas do vestibular, alguém diz: "Com as chocadeiras, o homem altera o ritmo da vida pelo lucro". O professor Márcio Santos vibra. "Você disse tudo! O homem se perdeu na necessidade de fazer negócio, ter lucro, exportar." E põe-se a cantar freneticamente Homem Primata / Capitalismo Selvagem / Ôôô (dos Titãs), no que é acompanhado por um enérgico coro de estudantes. Cena muito parecida teve lugar em uma classe do Colégio Anchieta, de Porto Alegre, outro que figura entre os melhores do país. Lá, a aula de história era animada por um jogral. No comando, o professor Paulo Fiovaranti. Ele pergunta: "Quem provoca o desemprego dos trabalhadores, gurizada?". Respondem os alunos: "A máquina". Indaga, mais uma vez, o professor: "Quem são os donos das máquinas?" E os estudantes: "Os empresários!". É a deixa para Fiovaranti encerrar com a lição de casa: "Então, quem tem pai empresário aqui deve questionar se ele está fazendo isso". Fim de aula.

Os dois episódios, ambos presenciados por VEJA, não são raridade nas escolas brasileiras. Ao contrário. Eles exemplificam uma tendência prevalente entre os professores brasileiros de esquerdizar a cabeça das crianças. Parece bobagem, uma curiosidade até pitoresca num mundo em que a empregabilidade e o sucesso na vida profissional dependem cada vez mais do desempenho técnico, do rigor intelectual, da atualização do pensamento e do conhecimento. Não é bobagem. A doutrinação esquerdista é predominante em todo o sistema escolar privado e particular. É algo que os professores levam mais a sério do que o ensino das matérias em classe, conforme revela a pesquisa CNT/Sensus encomendada por VEJA. Pobres alunos.

Divulgação

"Capitalismo selvagem"
Colégio Dom Bosco, de Goiânia: Titãs e crítica às chocadeiras artificiais na aula de geografia

Eles estão sendo preparados para viver no fim do século XIX, quando o marxismo surgiu como uma ideologia modernizante, capaz não apenas de explicar mas de mudar o mundo para melhor, acelerando a marcha da história rumo a uma sociedade sem classes. Bem, estamos no século XXI, o comunismo destruiu a si próprio em miséria, assassinatos e injustiças durante suas experiências reais no século passado. É embaraçoso que o marxismo-leninismo sobreviva apenas em Cuba, na Coréia do Norte e nas salas de aula de escolas brasileiras. As chocadeiras produzem os frangos vendidos a menos de 5 reais nos supermercados brasileiros, e isso propicia a dose mínima de proteína a famílias que, de outra forma, estariam mal nutridas. A realidade não interessa nas aulas como a do professor Márcio Santos. O que interessa? Passar a idéia de que as máquinas tiram empregos. Elas tiram? Tiraram no começo dos processos de robotização e automação de fábricas nos anos 90. Hoje, sem robôs e máquinas, os empregos nem sequer seriam criados. Mas dizer isso pode desagradar ao espírito do velho barbudo enterrado no novo Cemitério de Highgate, em Londres. Os professores esquerdistas veneram muito aquele senhor que viveu à custa de um amigo industrial, fez um filho na empregada da casa e, atacado pela furunculose, sofreu como um mártir boa parte da existência. Gostam muito dele, fariam tudo por ele, menos, é claro, lê-lo – pois Karl Marx é um autor rigoroso, complexo, profundo que, mesmo tendo apenas uma de suas idéias ainda levada a sério hoje – a Teoria da Alienação –, exige muito esforço para ser compreendido. "A salada ideológica resulta da leitura de resumos dos grandes pensadores", diz o filósofo Roberto Romano. Gente que vê maldade em chocadeiras e mal em empresários que usam máquinas em suas fábricas no século XXI não pode ter lido Karl Marx. É de supor que não tenham lido muito, quase nada. Mas são esses senhores que ensinam nossos filhos nas melhores escolas brasileiras – sem, diga-se, que os pais se incomodem com isso.

Mirian Fichtner

Lição de casa
Colégio Anchieta, em Porto Alegre: o professor pede aos alunos que questionem os "pais empresários"

A pesquisa CNT/Sensus ouviu 3 000 pessoas de 24 estados brasileiros, entre pais, alunos e professores de escolas públicas e particulares. Sua conclusão nesse particular é espantosa. Os pais (61%) sabem que os professores fazem discursos politicamente engajados em sala de aula e acham isso normal. Os professores, em maior proporção, reconhecem que doutrinam mesmo as crianças e acham que isso é sua missão principal – algo muito mais vital do que ensinar a interpretar um texto ou ser um bamba em matemática. Para 78% dos professores, o discurso engajado faz sentido, uma vez que atribuem à escola, antes de tudo, a função de "formar cidadãos" – à frente de "ensinar a matéria" ou "preparar as crianças para o futuro". Muito bonito se não estivessem nesse processo preparando os alunos para um mundo que acabou e diminuindo suas chances de enfrentar a realidade da vida depois que saírem do ambiente escolar. Para atacar um problema, o primeiro passo é reconhecer sua existência. Esse é o mérito da pesquisa CNT/Sensus.

Divulgação

Ódio às máquina
Na sala de aula e nos livros, a tecnologia recebe a culpa pelo aumento do desemprego no mundo

Adversária do exercício intelectual, a ideologização do ensino pode ser resultado em parte também do despreparo dos professores para o desempenho da função. No ensino básico, 52% lecionam matérias para as quais não receberam formação específica – 22% deles nunca freqüentaram faculdade. Para esses, os chavões de esquerda servem como uma espécie de muleta, um recurso a que se recorre na falta de informação. "Repetir meia dúzia de slogans é muito mais fácil do que estudar e ler grandes obras. Por isso, a ideologização é mais comum onde impera a ignorância", diz o historiador Marco Antonio Villa. A questão não é exatamente nova na educação. Meio século atrás, a filósofa alemã Hannah Arendt já alertava para o equívoco de fazer das aulas um lugar para a doutrinação ideológica, qualquer que fosse o matiz. Em A Crise na Educação, ela dizia: "Em vez de (o professor)juntar-se a seus iguais, assumindo o esforço da persuasão e correndo o risco do fracasso, há a intervenção ditatorial, baseada na absoluta superioridade do adulto". Ao refletirem sobre o atual cenário, os especialistas concordam com a idéia central da filósofa. Está claro, e a própria experiência mostra isso, que o viés político retira da escola aquilo que deveria, afinal, ser seu atributo número 1: ensinar a pensar – verbo cuja origem, do latim, significa justamente pesar. Diz o sociólogo Simon Schwartzman: "O verdadeiro exercício intelectual se faz ao colocar as idéias e os juízos numa balança, algo que só é possível com uma ampla liberdade de investigação e de crítica".

Alexandre Battibugli

Consumo, esse vilão
Na cartilha, as sociedades de consumo se prestam a estimular a futilidade e poluir o ambiente

Não é o caso na maioria das salas de aula. Muitos professores brasileiros se encantam com personagens que em classe mereceriam um tratamento mais crítico, como o guerrilheiro argentino Che Guevara, que na pesquisa aparece com 86% de citações positivas, 14% de neutras e zero, nenhum ponto negativo. Ou idolatram personagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização. Entre os professores brasileiros ouvidos na pesquisa, Freire goleia o físico teórico alemão Albert Einstein, talvez o maior gênio da história da humanidade. Paulo Freire 29 x 6 Einstein. Só isso já seria evidência suficiente de que se está diante de uma distorção gigantesca das prioridades educacionais dos senhores docentes, de uma deformação no espaço-tempo tão poderosa que talvez ajude a explicar o fato de eles viverem no passado.

Entre as figuras históricas e da atualidade mais citadas em classe está, como não poderia deixar de ser, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As referências a Lula são contidas. O presidente brasileiro obtém aprovação menor entre os professores, segundo relatam os estudantes, do que aquela com que a sociedade brasileira em geral o brinda. Ele tem 70% de avaliação positiva dos brasileiros, mas na boca dos professores esse índice cai para 30% – com 27% de citações negativas e 43% de neutras. Ressalte-se aqui que é um ponto louvável para os mestres o fato de, como mostram os números relativos a Lula, eles não fazerem proselitismo eleitoral em classe – mesmo que seja preciso relevar o fato de o ditador venezuelano Hugo Chávez ter merecido 51% de citações positivas. A neutralidade e o comedimento em relação a Lula desautorizam a interpretação de que os professores tentam direcionar o voto dos alunos, o que seria desastroso. É sinal de que sua pregação, mesmo equivocada, se mantém no nível das idéias – o que é excelente.

Joedson Alves

Contrários à doutrinação
O advogado Miguel Nagib (sentado) fundou a ONG Escola Sem Partido, junto com outros pais: todos acharam na cartilha dos filhos exemplos de ideologia

"Eu e todos os meus colegas professores temos, sim, uma visão de esquerda – e seria impossível isso não aparecer em nossos livros. Faço esforço para mostrar o outro lado", diz a geógrafa Sonia Castellar, que há vinte anos dá aulas na faculdade de pedagogia da Universidade de São Paulo (USP) e escreveu Geografia, um dos best-sellers nas escolas particulares (livro que tem dois de seus trechos comentados por VEJA na reportagem seguinte). "Reconheço o viés esquerdista nos livros e apostilas, fruto da formação marxista dos professores. Mas não temos nenhuma intenção de formar uma geração de jovens socialistas", diz Miguel Cerezo, responsável pelo conteúdo publicado nas apostilas do COC (de onde foram extraídos quatro trechos comentados pela revista). À luz de outra pesquisa em profundidade feita pelo Ibope em colaboração com a revista Nova Escola, editada pela Fundação Victor Civita, os professores da rede pública revelam que, para eles, o principal problema da sala de aula é, de longe (77%), a ausência dos pais no processo educativo. Repousam na colaboração entre pais e professores a correção dos rumos do ensino no país e a aceleração da curva de melhora de desempenho que começa a se desenhar. A questão do excesso de ideologização é um desses problemas que podem ser abordados em conjunto por pais e professores. Demanda para o diálogo existe. O advogado Miguel Nagib fundou, há quatro anos, em Brasília, a ONG Escola Sem Partido, com o objetivo de chamar atenção para a ideologização do ensino na sala de aula. Nagib se incomodou com os sinais do problema na escola particular de sua filha, então com 15 anos, onde o professor de história gostava de comparar Che Guevara a São Francisco de Assis. Foi ao colégio reclamar. Diz Nagib: "As escolas precisam ficar sabendo que muitos pais não concordam com essa visão".

 

 

 

Com reportagem de Camila Antunes e Marcos Todeschini.

Fonte: Revista VEJA.

24 Novembro 2008

A SUPERECONOMIA NORTE-AMERICANA DO SÉCULO XIX E OS MAGNATAS


Escrito por Charles R. Morris, “Os Magnatas”, é um livro que pretende ser uma biografia de quatro grandes personagens da história norte-americana: Andrew Carnegie, John Rockefeller, Jay Gould, e J.P Morgan. O livro aborda a vida pessoal e profissional desses protagonistas e de fundo a realidade e o desenvolvimento econômico dos Estados Unidos no século XIX. Entretanto, vai além de uma biografia. O livro é um verdadeiro raio-x da sociedade americana do século XIX. Temas como a guerra civil, os bastidores da política, aspectos sociais, técnica, inovação, contexto internacional, e uma apurada análise da economia norte-americana em diversos momentos, fazem do livro não só uma biografia simplória dos quatro magnatas, mas um portfólio de informações sobre a história e sociedade norte-americana.

O livro explora vários aspectos econômicos daquele tempo, exemplificando abundantemente as façanhas tecnológicas e inventivas dos homens que fizeram a América. A ênfase nos quatro grandes magnatas se faz não somente por eles serem homens que alcançaram riqueza e fama, mas também por eles serem um exemplo sublime do empreendedorismo e gênio norte-americano; e ainda por terem estabelecido uma era de prosperidade e avanços só igualados no século XX; embora sem a proeza da originalidade daquele tempo.

No primeiro capítulo, Morris cita um discurso de Lincoln durante a primeira campanha eleitoral:

“(...) melhor para todos deixar que cada homem seja livre para adquirir propriedade o mais rápido que puder. Alguns vão ficar ricos. Não acredito em uma lei para evitar que um homem enriqueça. (...) queremos dar ao homem mais humilde uma chance de ficar rico igual a de todos os outros.”

Outra importância de Lincoln foi o foco dado por ele ao talento norte-americano pela inovação. Nessa passagem vemos essa característica denunciada pelo autor:

“Nós, aqui nos Estados Unidos, achamos que descobrimos, inventamos e aperfeiçoamos mais rápido que qualquer nação européia. Eles podem achar que isso é arrogância, mas não podem negar que a Rússia nos chamou para lhe mostrar como construir barcos a vapor e ferrovias.”

No segundo capítulo intitulado de “A glória do ianque simplório”, o autor explora ainda mais a superioridade do gênio norte-americano sobre os outros povos. Ele põe o contexto de uma exposição internacional de tecnologia realizada em Londres: a exposição do Crystal Palace. Nesse evento, inventores, técnicos, mecânicos, engenheiros, industriais, descobridores e toda uma gama de americanos comuns surgiam com inovações nunca vistas no velho mundo. A Europa, e em especial a ex-metrópole, via e não podia acreditar que os norte-americanos estavam tão avançados, superando em muito, a técnica e engenharia européia.

Os britânicos acostumados a verem os inventores e produtores americanos como sendo utilitaristas, produzindo cinzeiros, barras de sabão e saleiros de mesa; tiveram que engolir a seco o “boom” inovador que o país vivia já na metade do século XIX. Armas, indústria náutica, maquinário, etc. Os americanos estavam muito a frente.

Após a exposição, estavam todos convencidos de que a América era um gigante adormecido, mas que estava por despertar.

O autor credita a liberdade, capacidade e aceitação inventiva (cultura da inovação), educação, facilidade para abrir empresas, menor mão do Estado, como responsáveis pela avalanche de desenvolvimento norte-americano. Os recursos naturais existiam em abundância, mas não eram fundamentais para que a América se tornasse uma potência industrial, superando em menos de cinco décadas todas as outras potências.

As fazendas Bonanza eram um marco do poder de produção e revolução que os norte-americanos foram capazes de fazer. Eram fazendas de grande extensão, mas mais do que isso, trabalhavam sob um sistema industrial. Nas palavras de Morris:

“Fazendas Bonanza, assim chamadas por seus lucros enormes, eram fazendas de milhares de hectares com um gerenciamento de produção no mesmo estilo do das fábricas, a máxima mecanização, quadro de empregados residentes reduzido, grande dependência de trabalho sazonal e normalmente com proprietários/investidores não-residentes. As operações se organizaram e padronizaram a tal ponto que eram desempenhadas em grande parte por não-fazendeiros.”

A segunda metade do século XIX apresentou também uma alta taxa de crescimento da classe média urbana. O consumo de bens crescia na medida em que mais e mais pessoas integravam a classe média que estava sedenta por consumir. Ali nasceram as grandes lojas que vendiam de tudo para casa: roupas, cortinas, sofás, mesas; enfim, tudo para utilidade do lar. A classe média norte-americana tinha acesso a uma variedade impressionante de bens, algo que não era visto em nenhum outro país,

Enquanto nasciam centenas de escritórios responsáveis pelos papéis das grandes indústrias que nasciam, o Estado concedia facilidades de adquirir bens e propriedades para todos. Eram as terras do oeste, adquiridas a preço de bagatela. O avanço para o oeste levava consigo as ferrovias. Veias de ligação e fornecimento de matéria-prima para todo o nordeste industrial. Era a nova fronteira agrícola e demográfica do país.

Nessa época, Andrew Carnegie, que seria o magnata do aço, era apenas um jovem buscando um espaço no mundo. Segundo o autor, ele  “era o mais temperamental dos magnatas. Baixinho, com apenas 1,65 m, cabelos louros pálidos, mãos e pés pequenos e um rosto de menino, era como uma criança travessa, vigorosa e incansável. Falava com energia, tinha opiniões fortes e subservientes, era bajulador e provocador e de uma rapidez sobrenatural em compreender qualquer coisa que fosse de seu interesse.”

Quando criança, Carnegie catou carretéis em indústrias de Pittsburgh, foi escriturário, e mensageiro de telégrafos. Nesse último trabalho, Carnegie se destacou como mensageiro oficial dos grandes negócios. Ele era um homem dedicado, lia muito, e se aperfeiçoava com estudos extras. Com um empresário de nome Tom Scott, Carnegie iniciou sua função de administrador de ferrovias. Ali faria carreira.

Entretanto, ele sairia do ramo das ferrovias depois de visitar a Inglaterra e conhecer as grandes siderúrgicas inglesas. De volta aos Estados Unidos, ele começaria seu império do aço, que por sua vez, desembocaria na Carnegie Steel, que, em vinte anos seria a maior empresa produtora de aço do mundo.

Essa relação entre ferrovias, telégrafos e o aço nascia do fato de que as ferrovias representavam a diminuição da distância entre os pólos produtivos, o que gerava uma rapidez também nas informações trocadas, e isso tudo precisava de aço para o aumento do número de linhas e vagões. Eram as três colunas de sustentação da expansão norte-americana que viabilizaria o desenvolvimento extraordinário daquele século.

John Rockefeller tem uma história igualmente magnânima. Apesar de não ter passado na infância e juventude pelos problemas da pobreza, pois era filho de fazendeiros e sempre pertenceu à classe média do oeste americano, John era tão competente quanto Carnegie.

Em 1855, John Rockefeller começa a trabalhar com um comerciante. Dois anos mais tarde ele adquire um empréstimo de mil dólares com seu próprio pai e abre uma sociedade com um negociante de produtos agrícolas. Ali ele já demonstrava sua capacidade de aprendizado e gerência. Tempos depois, ele descobre por meio das descobertas de um pesquisador que havia desenvolvido uma técnica para produzir o que naquele tempo era chamado de “óleo de pedra”. E com as notícias que informavam que aquele seria o combustível do futuro, Rockefeller atenta-se para o novo ramo: Petróleo.

Dois anos mais tarde, Rockefeller com vinte e dois anos alia-se a outro negociante para financiar uma refinaria de petróleo na Pensilvânia. Para o novo empreendimento, foi Rockefeller quem decidiu onde seria instalada a nova refinaria de petróleo, perto de transportes para escoação da produção. Desde o começo a refinaria dava lucros, e em pouquíssimo tempo ela já era a mais lucrativa da região. Muito em razão de John Rockefeller, que era um exímio estrategista e contador, mantendo a contabilidade impecável.

Rockefeller iniciou sua ascensão quando comprou a parte dos sócios na refinaria e iniciou um processo contínuo de aquisições bem peculiares dele. Ele comprava todos os concorrentes; procurando diminuir custos e aumentar a lucratividade de forma voraz. Buscou ao mesmo tempo, unificar o ciclo produtivo comprando empresas que forneciam transporte, beneficiamento, extração e todos os outros meios dos quais eventualmente apareciam no seu caminho. Em poucos anos, Rockefeller conquistara mercados, comprara docas, estradas, reservatórios, e outras refinarias. Toda estrutura ao redor do seu negócio precisava ser controlada por ele, e assim ele o fez.

Jay Gould era um homem bem diferente dos dois anteriores. Tinha uma fama péssima; diziam que ele era um homem sem escrúpulos, imoral e que não tinha regra que ele não desse um jeito de burlar.

Jay Gould é, em minha opinião, o mais excêntrico dos quatro magnatas. Em razão da sua formação física franzina, o pai de Gould ficara desapontado, e foi obrigado a largar o trabalho na fazenda por uma loja na cidade. Talvez, a sua pouca vitalidade física era compensada por uma ambição e desprezo pelas regras sociais, tão evidentes durante sua vida. Nas palavras do escritor: “Ele se virou praticamente sozinho desde os treze anos, quando o seu pai o matriculou em uma escola secundária em uma cidade vizinha e o deixou lá com uma pilha de roupas e cinqüenta centavos. Jay logo arranjou um emprego de meio expediente como guarda-livros autodidata e também demonstrou ser um aluno excelente, com um gosto verdadeiro pela literatura e um texto de estilo surpreendentemente maduro”.

Jay Gould foi um nome ligado à chamada “Guerra da Erie”, onde o país viu uma verdadeira batalha travada no mercado de capitais. Jay Gould adquiriu capacidade de influenciar os mercados promovendo uma corrida por ações que baixavam e subiam ao seu comando. Depois desse episódio, ele seria uma figura satânica nos meios financeiros.

Anos depois, ele voltaria com força total com a aquisição de diversas empresas ferroviárias. Mas dessa vez, ele agiria de uma forma menos chocante. Passou a controlar a maior parte das rotas importantes dentro dos Estados Unidos. Foi justamente ele, o responsável por formar o sistema norte-americano de transportes e informações, criando linhas e mais linhas sem a demanda correspondente. Era típico dele a loucura genial.

J.P Morgan era o “homem do dinheiro”, de todos os outros, ele era o mais abastardo. Vindo de uma família razoavelmente rica, estudou muito antes de entrar de cabeça nos negócios.

Morgan descendia de uma família bem sucedida. Seu pai era banqueiro, e desde pequeno estava inserido no meio dos negócios. Ele era extrovertido e possuía grande talento para números, apesar de possuir também uma atração para riscos nos negócios. Trabalhando no banco do seu pai, J.P Morgan financiava a curto prazo diversos empreendimentos. Estudou na Europa, aprendeu línguas, ganhou bagagem, e quando voltou para os Estados Unidos, todos diziam que ele assumiria o negócio do pai. Leso engano, J.P Morgan resolve abrir seu próprio negócio. Financiando muitos negócios de terceiros, ele conseguiu ser o banqueiro dos grandes empreendedores. Sempre com uma visão objetiva e certeira nos negócios que sentia que dariam certo. Ele foi capaz de acertar em vários investimentos, entre eles o da fusão que daria origem à General Electric.

A partir do final do século dezenove e começo do século vinte, os trustes começaram a ser realmente combatidos. Nessa época, os Magnatas sofreram reveses.

A Standard Oil fôra dividida em diversas outras empresas. Nessa época também, Rockefeller já não era administrador. A US. Steel também sofrera muito. Carnegie passou a investir em diversas obras de caridade. Jay Gould abandonara os negócios, e continuou rico até sua morte em 1892. E J.P Morgan colecionaria bons investimentos até sua morte em 1913.

Eles marcariam a história dos Estados Unidos com uma herança de grandiosidade, força de vontade, inteligência e capacidade gestora.

A economia americana nunca seria a mesma. Aquela era de ouro estava acabada. O ressurgimento de uma grandeza econômica como aquela só viria de forma semelhante nos anos pós-guerra. Mas mesmo assim, nunca poderíamos dizer que poucos homens influenciariam com tanta vitalidade os rumos de uma economia e de um país, e em tão pouco tempo.

A frase do autor é apropriada:

A supereconomia americana foi criada por quatro homens: Andrew Carnegie (1835-1919), John D. Rockefeller (1839-1937), Jay Gould (1836-1892) e J.P. Morgan (1837-1913). Eles foram os gigantes da Era de Ouro, os magnatas por trás do exuberante crescimento econômico que fez dos Estados Unidos o país mais rico, mais criativo e mais produtivo do planeta. Eles são, literalmente, os fundadores da economia norte-americana - e, portanto, dos Estados Unidos moderno. De Carnegie, o imperador do aço, passando por Rockefeller, o barão do petróleo, e Gould, o homem das ferrovias e inescrupuloso manipulador da bolsa de valores, até chegar a Morgan, banqueiro de sangue azul com uma intuição para uma economia globalizada, o conceituado escritor e jornalista Charles R. Morris recupera a história - e o legado - desses quatro homens, tão fascinantes quantos controversos. Em uma instigante narrativa, acessível a todos os interessados em história e economia, Morris revela como eles transformaram a jovem e sedutora nação norte-americana em uma potência mundial.”

11 Novembro 2008

Obamafilia II


Na Idade Média existiam dois grandes ídolos: o Rei, que personificava o Estado e era avalizado por Deus; e o Papa, que era o preposto de Deus e afiançado pelo poder mundano. Era um tempo em que essas personificações eram adoradas, respeitadas, interiorizadas numa imagem de proteção e louvor. Os Papas prometiam a mudança para melhor por meio do paraíso. Os Reis, por sua vez, com os olhos no mundo físico, diziam que sem eles as coisas seriam ainda piores.  

No nosso século, as coisas não mudaram muito. Continuamos tendo um Papa, embora esse use o discurso dos Reis da Idade Média. Continua insistindo na necessidade imperativa do seu cargo, e que com ele o mundo é melhor do que sem ele, apesar de crerem numa mudança terrena assim como os Reis de outrora. Enquanto isso, os Reis, _ hoje presidentes _, prometem a mudança em Terra. Ou melhor, vendem o paraíso para os súditos de agora.

Quando um Rei assumia o trono, crianças, mulheres, jovens, velhos, homens, e todo o resto da sociedade, choravam de alegria e emoção. O Rei era parte do modo de vida do povo; era parte da família e razão de ser da sociedade. E o povo... bom, o povo eram os cupins.

Hoje, o homem moderno é tão idolatra como antes. Só olhar para a eleição norte-americana e constatamos isso. No Brasil isso também foi visto com Getúlio Vargas, Juscelino, Tancredo Neves, Collor, e, mais recentemente, com o nosso Molusco apedeuta. O povo adora isso; parece estar no sangue das massas. Não há outra explicação para tanta submissão diante de um empregado. Sim! Afinal, um presidente nada mais é do que um rés empregado da sociedade.

Obama nesse contexto é a personificação daquele mundo das trevas; é o ressurgimento dessa idolatria. Com a diferença de que naquele tempo o Rei era o patrão de fato; e hoje os presidentes são empregados. Conclui-se que temos uma inversão de valores nas mãos. O empregado (presidente) é endeusado pelo patrão (o cidadão). E pior: o patrão faz isso por livre e espontânea vontade!

Fazendo um parêntese, lembrei agora do livro “Inteligência emocional”, no qual o autor defende que a inteligência emocional é mais importante do que o Q.I para determinar o sucesso ou não de um sujeito. Levando em consideração a forte carga emocional dos nossos novos governantes (Lula e Obama, por exemplo), passo a crer na força dessa tal de inteligência emocional. Pensando bem, não seria novidade alguma, sempre foi assim. Não há nada de novo no homem emotivo. E aí eu volto a cogitar: Não seria da natureza do homem sentir? Claro que é, mas e a razão, onde fica nessa história? Acho que hoje, mais do que nunca, o apelo emocional ganhou da racionalidade. Definitivamente, o mundo é um coração chorão, e os cérebros, souvenir de turista. 

OUTROS TEXTOS A RESPEITO:

Obamafilia

McCain Vs Obamafilia

O Socialista Pop

07 Novembro 2008

IMBECILIDADES DE UM MUNDO "POLITICAMENTE CORRETO"


O jornal britânico, The Guardian, atento ao furor alucinante de “politicamente correto” e à onda de minorias supervalorizadas, anunciou essa semana que está em busca de um candidato negro ou de “minorias” para ocupar o cargo de primeiro-ministro britânico. (A igreja do "politicamente correto" procura novos pastores...).

Quando eu falo que a burrice coletiva no mundo é tão grande na era do desenvolvimento tecnológico e da informação generalizada quanto o foi na idade média, ninguém leva muito a sério. A verdade é que a circulação de informação hoje é grande e acessível a todos, entretanto, a capacidade de absorção e senso crítico das pessoas não acompanhou o ritmo. Não é difícil ver alguém emitir opiniões sobre quase tudo, e quase sempre de forma superficial, e mesmo assim, essa gente, pelo pouco que absorvem, se dão orgulhosamente por satisfeitas. Nesse sentido, o avanço tecnológico e a qualidade de vida na atualidade, fazem com que elas confundam progresso tecnológico da humanidade e capacidade crítica com relação aos fatos da vida. O primeiro acaba por mascarar a ausência do segundo, e o resultado disso é que o senso crítico se esvai na medida em que o politicamente correto imbecil prolifera. 

A Grã-Bretanha, como a guria que descobre uma amiga grávida, e deseja também ficar grávida, mostra toda a capacidade de uma coletividade em ser idiota. Afinal, é dando que se engravida!

Nesse mundo ocidental, a censura como a conhecíamos está enterrada, mas vemos nascer a nova censura (nem sei se a vê). Essa nova censura é a do “politicamente correto”, asilo para os velhos moralismos. Onde certas opiniões tornaram proibidas; e onde as opiniões oficiais de alguns PHDeuses são os axiomas do século XXI. E nesse ambiente de idolatria aos apedeutas, o imbecil é cada vez mais glorificado nas suas opiniões vazias e superficiais. Enquanto alguns poucos seres, pensantes e críticos, se vêem como Giordano Bruno na idade das trevas. 

04 Novembro 2008

Lula defende o controle do sistema financeiro.


SUPREMO APEDEUTA MANTÉM SUA IGNORÂNCIA NA PONTA DA LÍNGUA:
CLICK AQUI.

       A crise financeira vem derrubando a máscara de muita gente. O Molusco, por exemplo, tirou o pó de arroz do paletó e defendeu o controle do sistema financeiro pelos governos. Absurdamente, o despreparado governante brasileiro, demonstrando seu total desconhecimento da realidade macroeconômica do mundo, ainda mantém aquela mentalidade moscovita de outros tempos. Controle do sistema financeiro é contaminar o mesmo com as "desgraceiras" da política governamental. Se estamos em crise com o sistema razoavelmente livre, com o controle do Estado, vamos pagar mais caro (e a história é pródiga em exemplos disso). Sem contar que a própria crise teve sua origem nas primeiras garantias "irreais" dadas pelo governo, _ no caso o norte-americano _, ao mercado de imóveis dos EUA. Sem essa postura de controle e intervenção estatal, o mercado imobiliário nunca iria vender casas com juros tão baixos, e riscos tão altos. Um bom vendedor sabe que não pode vender sem garantias reais, bens caros para alguém que não tem nem emprego. Mas contando com a ajudinha do Estado-interventor, isso pode ocorrer, como de fato ocorreu. 
Teve gente que vendia casas de 300 mil dólares quase sem juros. Como sabemos, os juros são garantia do risco do negócio, ou seja, quanto mais arriscado o recebimento do valor da obrigação, maiores serão os juros. É valor e garantia do risco. Ora, com o risco amenizado pela interferência estatal, pode-se vender a baixos juros. O problema ocorreu exatamente quando o Estado passou dos limites da sua própria capacidade de assegurar esses valores, e depois de praticamente cinco décadas de intervencionismo, a bolha agigantou-se e o barril estourou. 
Claro que o consumidor também teve sua culpa, mas convenhamos, a oferta era irrecusável. Se não houvesse tanta facilidade promovida pelo Estado, não teriam adquirido tão facilmente esses bens e depois dado o calote. Já os operadores desse nicho de mercado também têm sua culpa, mas igualmente, sem as garantias do Estado-interventor, não teriam tratado a preços tão cômodos e inseguros.

    E agora me vem o Molusco, ignorante das circunstâncias que deram ensejo a essa situação, dizer que precisamos controlar o sistema financeiro?! Vai palhaço, vai controlar o sistema financeiro para você vê! 

Com esse Rei Molusco, só Deus (se existir) para nos salvar do outro Deus: o Estado.

02 Novembro 2008

Dica da semana

Embaixador John F. Veroneau
Embaixador John F. Veroneau

Uma dica de site: Programa Internacional de informação do Governo dos EUA. Nesse site, encontrei alguns artigos que penso serem interessantes, vide um deles:


A história e a experiência nos dão lições importantes quando olhamos para o futuro do sistema comercial internacional. Especificamente desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o comércio tem sido a mola propulsora da evolução da economia mundial. Rodadas sucessivas de liberalização multilateral do comércio sob o Acordo Geral de Tarifas e Comércio (Gatt) e sua sucessora, a Organização Mundial do Comércio (OMC), ajudaram a reconstruir economias destruídas pela guerra na Europa; levaram a um caminho certo para o desenvolvimento de nações independentes e modernizadas na Ásia, América Latina, África e Oriente Médio; e tiraram milhões de pessoas da pobreza.

Nas últimas sete décadas, presidentes americanos que vão de Franklin D. Roosevelt a George W. Bush têm dado apoio constante à redução das barreiras comerciais entre os Estados Unidos e nossos parceiros no mundo todo. Eles vêm compartilhando a mesma crença de que o papel principal do comércio é promover padrões de vida mais elevados, maior prosperidade e uma gama maior de escolhas para nossos cidadãos e os de outros países. Conseqüentemente, os Estados Unidos possuem a mais aberta das principais economias mundiais, e essa abertura é por certo uma fonte de fortalecimento. De acordo com o Instituto Peterson de Economia Internacional, a renda anual dos EUA aumentou US$ 1 trilhão, ou US$ 9.000 por domicílio, desde 1945 devido à liberalização do comércio.

Estamos no momento testemunhando um período de rápida transformação no mercado global. Logo nos primeiros anos após o término da Guerra Fria, aproximadamente 2 bilhões a mais de trabalhadores e consumidores começaram a fazer parte da economia internacional, na medida em que caíram as barreiras políticas e tecnológicas para a participação no mercado. Para que mais cidadãos sejam capacitados a realizar seus sonhos e dar sustento a suas famílias, precisamos destravar o potencial do comércio para promover o crescimento econômico global e incentivar a geração de melhores empregos.

O Banco Mundial estima que a total eliminação das barreiras comerciais pode tirar dezenas de milhões da pobreza; portanto, é óbvia a necessidade moral de encontrar um caminho que promova o comércio. Além do mais, embora o alívio da dívida e a ajuda externa possam ser importantes contribuições para o desenvolvimento dos países pobres, o comércio e a sua liberalização provavelmente são ferramentas mais poderosas para aliviar a pobreza e proporcionar às sociedades os recursos econômicos para que enfrentem as necessidades mais urgentes. Mais uma vez, de acordo com o Banco Mundial, o aumento anual de renda nos países em desenvolvimento, com a eliminação das barreiras somente para os produtos, é de US$ 142 bilhões, segundo estimativas conservadoras. Esse montante excede os US$ 80 bilhões em assistência econômica externa dados pelos principais países industrializados em 2005, juntamente com os US$ 42,5 bilhões propostos para o alívio da dívida dos países em desenvolvimento.

Os ganhos potenciais com a liberação do comércio de bens manufaturados, serviços e agricultura são de fato substanciais. A suspensão da Rodada Doha das negociações da OMC em 2006 foi uma decepção para todos os que acreditam no poder do comércio para promover o desenvolvimento econômico, expandir oportunidades e facilitar a cooperação pacífica entre as nações. Isso levou o presidente Bush a incumbir ao Escritório do Representante de Comércio dos EUA a busca de um acordo ambicioso e equilibrado que atenda aos objetivos de desenvolvimento de Doha.

O ritmo acelerado das mudanças na economia internacional e seus efeitos ― ambos positivos e negativos ― sobre as regiões, localidades e os cidadãos geram ansiedades compreensíveis. Cada sociedade precisa encontrar uma forma de resolver as necessidades daqueles que possam se sentir afetados pela mudança e aliviar a transição. Mas ter uma recaída e construir muros e barreiras ao comércio não é a resposta: as barreiras comerciais protegem poucos às custas de muitos, e países que não resistem às ações protecionistas arriscam ter crescimento mais lento, indústrias ineficientes e não competitivas, mais desemprego e inflação mais elevada no longo prazo.

O aumento do comércio tem amplos benefícios sociais: os países mais ricos são mais propensos a dedicar recursos para preservar seu meio ambiente, e trabalhadores de indústrias ligadas à exportação tendem a receber remunerações maiores do que suas contrapartes nacionais em setores não vinculados à exportação. Hoje os ganhos com o comércio são reais para centenas de milhões de indivíduos, que deles dependem para sua subsistência e de suas famílias.

Esperamos que o leitor analise com calma cada um dos artigos neste número e que possa ter com eles um melhor entendimento dos benefícios da liberalização do comércio para melhorar a qualidade de vida de todas as pessoas no mundo inteiro.

Embaixador John K. Veroneau

Vice-Representante de Comércio dos EUA


Fonte: USINFO (em várias línguas).

27 Outubro 2008

Duas frases, duas idéias


Candidato da Obamafilia midiática: 

"Dentro de uma semana, vocês poderão virar a página quanto às políticas que colocaram a ganância e a irresponsabilidade de Wall Street à frente do trabalho duro e do sacrifício do trabalhador comum"

Obama

O "outro", segundo a mídia:

"Esta eleição resume-se a saber como você deseja que seu suado dinheiro seja gasto. Você quer ficar com ele e investir no seu futuro ou quer que ele seja tomado pela pessoa mais esquerdista a ter assumido o poder e pelos democratas que vêm liderando o Congresso há dois anos?"

McCain

25 Outubro 2008

Monty Python - O sentido da vida


Os britânicos do grupo comediante, Monty Python, realizou um filme no começo da década de 80, chamado “Monty Python – O sentido da vida”. É um filme satírico dividido em episódios nos quais abordam assuntos basilares da vida humana como morte, Deus, família, economia, moral, política, guerra, sexo, e, é claro, o sentido da vida. Cada episódio trata de um tema diferente sob a ótica do cotidiano e das banalidades da vida.

É bem atual o primeiro episódio. Nele vemos uma seguradora que emprega vários velhos em sua contabilidade. Para fiscalizar o trabalho duro desses senhores, a seguradora mantém jovens elegantes. O ambiente é sufocante e ordeiro. Após uma demissão, os senhores se rebelam contra os jovens e a vida laboral. As cidades que são formadas como ilhas, e os prédios como navios remetem sempre ao mundo financeiro. Neste universo de quimera, os velhos levantam âncora e saem como piratas pelos mares das finanças em busca de ilhas financeiras da onde possam tirar os seus dividendos. Por mais estranho que pareça, o filme nos faz pensar na loucura da vida cotidiana e torna-se bem atual após ¼ de século.

Sugiro que assistam ao filme. Além de ser uma comédia de ótima qualidade, com tiradas surpreendentes e inteligentes que nos fazem meditar sobre a vida, é também um filme eclético quando mistura comédia, drama, musical e animações. Estas últimas lembram muito animações que vemos em clips de bandas reconhecidas como Oasis, e em programas de TV.  

Dois outros filmes da série são igualmente recomendáveis: A vida de Brian e Monty Python e o Santo Graal. 

24 Outubro 2008

O telhado de vidro do Rei Molusco

Eu nunca alimentei simpatia pela neurose dos governos brasileiros ao longo da história em tornar o Brasil “líder” da América do sul. Muito pelo contrário, tenho grandes críticas a esse sonho de uma noite de verão dos tecnocratas do Itamaraty. Por outro lado, para um país que sonha em se fazer respeitar e não consegue impor-se aos visinhos em questões que o interessa diretamente, não é um país que se possa chamar de “líder”. Um exemplo dessa fragilidade de espírito que o governo Lula vem praticando é o Paraguai. O governo socialista do pilantra Fernando Lugo foi complacente com a invasão dos sem-terra paraguaios às propriedades de brasileiros e “brasiguaios” residentes no país das muambas. A violência generalizou sem que Celso Amorim expressasse de forma mais veemente a indignação brasileira. Esses acontecimentos ocorrem sob a égide de um governo que não é amigo do Brasil, é um país que já indicou ter intenções escusas quando quis e quer romper contratos jurídicos estabelecidos para Itaipu.

   Outro exemplo da efeminada ação brasileira na defesa dos interesses do país, é o caso da Bolívia e as incessantes ameaças que Morales representa para o Brasil nas questões energéticas. O Equador de Correa também atacou as empresas brasileiras no país. Como pode um país pleitear liderança sul-americana sem nem ao menos conseguir garantir condições para seus empresários agirem com certa segurança? Se esses países não são capazes de dar condições, que sejamos nós, amigos de asiáticos, europeus e outros americanos, de preferência os do norte. Mas também... O governo Lula não pode falar de Lugo porque financia e alimenta grande afeição ao MST, os nossos sem-terra são até piores do que os deles; não pode falar de rompimento de contratos se apóia a quebra de patentes de remédios como os do coquetel da AIDS; muito menos reclamar das ondas de estatizações da Bolívia e Equador se ele mesmo vive defendendo a Petrobrás e pretende criar uma estatal para exploração “nacional” da pré-sal. Sem falar que ele durante toda sua vive gritou os mesmos slogans desses safados.

   Não dá para atirar pedra no telhado dos outros quando o seu é de vidro, não é, Molusco? 

Caudilho "Conservador"

Quando Ronald Reagan assumiu a presidência dos Estados Unidos nos anos 80, ele implantou uma política econômica que havia professado em sua campanha eleitoral. Ele mantinha o seguinte slogan nos discursos: “O Estado não é a solução, é o problema”. Reagan era um homem que muitos consideravam inculto, para outros ele era intuitivo, mas possuía o dom de falar simples sobre coisas complexas. Desde que assumiu, sabia não valer a pena manter uma guerra fria no âmbito econômico ou até mesmo político, a despeito dos investimentos militares que ele acreditava serem necessários para impedir que um inimigo perdido botasse tudo a perder antes de desfalecer. O império soviético já não era um inimigo, era um adversário enfermo, e ele era cônscio disso.

Os Estados Unidos no começo da década de 80 apresentava uma inflação maior que 14% ao ano; o desemprego era altíssimo e crescia; alguns da “intelligentsia” norte-americana já profetizavam o fim do império americano, enquanto outros teciam elogios ao sistema estatal soviético. Reagan tomou algumas medidas que iam à contramão da tendência keynesiana seguida à risca nas décadas anteriores. Ele derrubou o dragão da inflação com uma política monetária implacável; cortou programas de assistencialismo social; combateu grevistas com determinação, remodelando o sistema laboral nos Estados Unidos, a flexibilização dos direitos trabalhistas contribuiu para a geração de 20 milhões de novos empregos, a exemplo de sua contemporânea britânica, Margareth Thatcher; reduziu os impostos às empresas e aos indivíduos. Neste último item, a redução para as empresas foi maior que 10%, e para os indivíduos, maior que 40%!

O resultado das medidas foi o crescimento econômico médio de 3,2% nos anos de seu governo; redução da taxa de desemprego com a criação de 20 milhões de novos empregos; o aumento dos ganhos médios das famílias norte-americanas. É verdade que ele não conseguiu segurar os gastos públicos em outros setores fora os gastos sociais, que criou um déficit público gigantesco; é verdade também que a balança comercial também gerou déficits, o que parcialmente se explica pela efervescência do mercado interno em busca de bens e commodities.

Mas o legado de Reagan para a nova ordem econômica mundial foi inegável. Ele, como conservador (“Conservador” nos EUA é um liberal para o resto do mundo. Lá eles têm uma nomenclatura inversa), desenvolveu a economia norte-americana e serviu de exemplo a ser seguido por diversos outros países. Obviamente, o Brasil não foi um destes.

O SOCIALISTA POP

De poucas coisas na vida eu tenho medo. Uma delas com certeza é a morte, que adquiri temor depois que deixei a adolescência, ― antes não tinha nem um pingo, a morte era praticamente uma companheira ―, a outra é de “chato”, ― dos dois tipos ―, mas principalmente do de sentido mais baixo. Chato enche o saco e às vezes incha a cabeça também. A morte eu não sei. Por isso temo ainda mais o chato.  

Fora medo, tem coisas que não gosto. Quando me apresentaram o bacalhau, odiei. Quem em são paladar poderia gostar de algo que fedia a um aracnídeo cabeludo que mulheres preservam? Era inadmissível tal proeza até que eu aprendi que vale dinheiro, e o status me levou a gostar do sabor. O dinheiro e o status levam as pessoas aos extremos e básicos. O básico ocorreu comigo quando passei a gostar de bacalhau e por extensão do aracnídeo também. O exagero foi continuar pagando pelos dois. Hoje não pago por nenhum dos dois e só como um, ou melhor, uma. Prefiro salmão e a minha moça.

Hoje em dia está cada vez mais fácil emitirmos opiniões e mais fácil ainda não usarmos as nossas. Não consegui ouvir ninguém da minha convivência que dissesse que não gosta do Obama. Quando eu dizia que ele era um populista e produto de consumo de uma sociedade norte-americana cada vez mais latina, diziam que eu estava louco. Pode até ser, mas nada me tira da cabeça que o candidato meio-afro-americano é socialista pop.

Um sujeito que defende subsídios aos mais pobres por serem pobres e com dinheiro de quem não é, ou professa o aumento de impostos para empresas (ele diz tratar de corte de subsídios tributários, o que na prática é aumentar imposto mesmo); fala em criação de empregos para sindicalistas e operários sem dizer nenhuma boa nova ao empresariado que são os que criam esses empregos para operários e sindicalistas; o homem que enche de emotividade os discursos que têm como tema a economia; que desdenha dos homens de Wall Street como se a riqueza da América não tivesse saído dali, entre outros slogans que ditos na Europa o colocaria no rol dos candidatos da esquerda do velho mundo; não pode ser considerado outra coisa senão socialista. Isso pra mim é socialismo na veia! É marxismo "à la américain", meu caro! (acreditem se quiserem).

O americano comum sabe falar do que gosta pela imagem, e quando não gosta do conteúdo, ele sabe, mas não fala. Com Obama é assim para o eleitorado branco, a imagem atende à ficção dos filmes futuristas onde a figura de um afro-americano sofrido conquista a altaneira posição presidencial. No mesmo sentido o eleitorado latino, em seu subconsciente político tão acostumado com líderes socialistas pop, vê no Obama uma forma familiar. O eleitorado negro, de forma velada, vota nele por questões raciais. Ele é visto como o rompimento de um paradigma e como o resgate de um passado ou dívida histórica que a América “deve” aos negros. Os brancos caíram na complacência de quem é devedor. Eles ficaram atraídos com a possibilidade de fazer o “fim feliz” dos filmes; e associaram a imagem do candidato da obamafilia ao homem que liquidará a dívida histórica. Para os judeus importa pouquinho McCain ou Obama. Ambos defenderam Israel inflamadamente em discursos às comunidades; só diferem quanto aos interesses. Para os que têm interesse interno, vale Obama; para os que têm interesses externos, vale McCain. Mas isso não chega a ser taxativo. Aos jovens ele é o pop consumível. Para os militares covardes ele é a esperança de sentar no sofá e comer batata frita. Para os da mídia, ele é a notícia pop e o show de todos os dias. Para os velhos, bom... Os velhos o vêem como o cara jovem e negro.

E para mim ele é o chato que não levará à morte da América, mas enche o saco e incha a cabeça de um brasileiro que sabe que a onda americana é surfe para o resto do mundo. Eu sei do que gosto, e dele não gosto. Não tenho problemas em emitir opinião própria quando ela não coincide com a da maioria. E Obama é para mim um exemplar socialista pop e the end.

23 Outubro 2008

As cartas

Com a crise financeira generalizada, jornais, empresas e entidades financeiras norte-americanas estão recebendo dezenas de cartas ameaçadoras. As cartas acusam Deus e o mundo pela crise. Espécie de desabafo.

Acho que os autores das cartas são justamente os detentores de hipotecas podres... O subprime subiu às cabeças dos norte-americanos enquanto o saldo bancário descia...

16 Outubro 2008

Nova regulamentação para os municípios

O Senado Federal aprovou nova regulamentação para criação de novos municípios. Antes dessa regulamentação, vimos nascerem municípios quase que por osmose celular. Todo aglomeradozinho de gente já queria se elevar ao status de ente federado. Aliás, essa história inovadora da Carta de 88 de colocar município como ente federado é uma bela de uma aberração. A maior parte dos países tem apenas províncias/estados e União; alguns incluem condados que seriam o equivalente a nossas micro-regiões dentro das províncias.
Essa nova regulamentação dará um freio razoável nos gastos com estrutura administrativa que novos municípios trazem. Mas ainda acho que é preciso analisar os prós e contras de uma emancipação. Critérios objetivos são sempre bons, mas alguma margem para a elasticidade racional deve haver. Imaginem os gastos extras que advêm de novos vereadores, prédios para abrigarem as repartições públicas, prefeitos, secretários, e todo aparato mínimo e “excessivo” para manter uma municipalidade de 4.000 almas?
Eu penso que cidades da região metropolitana de grandes municípios como Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre, deviam ter uma administração centrada na maior cidade da região. Muitos são os casos em que ações relacionadas à segurança, urbanismo, saúde, etc; poderiam ter eficácia maior, mas sofrem com divergências de competência. Embora eu entenda que distritos com certa distância geográfica, e importância econômica e populacional, devam se emancipar de suas cidades-pólo para melhor atender a seus habitantes.
Para os primeiros: a realidade diversa dos grandes centros impulsiona a uma centralização de competência e uma descentralização de gestão (ex: regionais de um mesmo município); para os segundos: a emancipação caso os efeitos da mesma sejam benéficos para seus cidadãos. O que não dá para agüentar são os municípios que recebem verbas devidas a uma municipalidade e possuem mais gente trabalhando na prefeitura do que nas ruas.
Se as coisas continuassem naquele ritmo, o Maracanã iria pedir sua emancipação. E não seria desagradável para os seus se pensarmos que ultimamente, com o pan, o estádio recebeu uma fortuna em investimentos em infra-estrutura.

08 Outubro 2008

A volta do Homem de Fraque


Jornal da Globo anuncia que os credores espanhóis ressuscitaram uma classe trabalhadora que nos tempos do crédito fácil estavam desprestigiadas, são os homens de fraque. Vestidos a caráter... à la primeira metade do século XX, eles têm a nobre função de cobrar dívidas.

Achei cômico: Um homem de cartola, vestido com um fraque negro e camisa branca, além de uma mala com uma grande estampa que anuncia a função do portador, desce de um carro, igualmente estilizado e com o escopo publicado em letras garrafais. A vítima, lazarenta ou não, passa por uma tremenda vergonha ao saber o que toda vizinhança também saberá: cobrador a caminho! Na medida em que as coisas andam, acho que os vizinhos correrão pros armários.

Bom, na reportagem, um empresário do ramo das cobranças anuncia que já sabia há muito tempo que a demanda cresceria; providenciou a contratação de mais funcionários: alegria dos comediantes desempregados e dos costureiros.

Em Portugal, _ ou melhor, na internet _, encontrei um sítio português que presta esses serviços: http://www.ohomemdofraque.com/

No Brasil, vai ter muito advogado topando o trampo. Eu aconselho a contratação de traficantes, e ao invés de “homens de fraque”, adotemos a nomenclatura “homens do tráfico” e um slogan: “Homens do tráfico cobra suas dívidas e garante o pagamento do devedor... vivo ou morto.”

06 Outubro 2008

Coquetel...

Sabe aquelas páginas das revistas nas quais publicam as opiniões dos leitores? Pois é, eu tenho o hábito de lê-las. Na revista Veja dessa semana (08/10/08, pág 39) foi publicada uma opinião interessante sobre os coquetéis para Aids feito por um leitor de nome, Fausto Ferraz Filho; transcrevo:

Aids entre os jovens (a respeito da reportagem “As alucinantes noites dos kamikazes”, de 1° de outubro)

Por que a maioria tem de pagar pelas loucuras de uma minoria? Os jovens contaminados pelo vírus da Aids porque desprezam o sexo seguro que paguem pelos coquetéis de remédios. Paguem com o próprio dinheiro, ou com trabalhos comunitários. Chega de bondades à custa do suor alheio.”

O cúmulo da complacência


Ingrid Betancourt; ― aquela ex-candidata franco-colombiana que fôra seqüestrada pelas FARC, e há pouco foi libertada ―; disse que acredita que tanto as FARC quanto o governo colombiano estão mais próximos de se acertarem.

Ela deve estar ainda sofrendo dos últimos resquícios daquela tal Síndrome de Estocolmo, na qual algumas pessoas seqüestradas criam certa afeição e complacência com os seus seqüestradores.

Não há que se falar em diálogo com terroristas; a coisa tem que ser na base do poder militar, força, iniciativa; tudo em um panorama estritamente militar. Evitar ingerências políticas, sociais, e de organizações internacionais que pregam apaziguamento. É preciso combater essa guerrilha de narco-terroristas, com o rigor com o qual se combate um inimigo externo. Apaziguamento não traz paz; muito pelo contrário, a experiência histórica mostra que todo apaziguamento fortalece aquele que não almeja a paz.

Pequenas operações é o padrão usado pelo governo colombiano. Nada mais errado do que isso. Quando se troca grandes ofensivas que podem gerar baixas do seu lado por pequenas operações, leva, inexoravelmente, a uma guerra prolongada e com baixas à prestação. Às vezes é preciso correr riscos mais altos para alcançar o que deseja. A Colômbia perpetuará essa guerra pela fraqueza do Estado, e pelo politicamente correto condescendente.

Lembrando que a segurança é uma função primordial do Estado.

04 Outubro 2008

Resenha da primeira dissertação do "Genealogia da moral" de Nietzsche


Nietzsche principia a obra circunscrevendo o ambiente mental no qual emergiu suas primeiras indagações a respeito da moral. Fala dos estímulos da infância, e das idéias que antes eram aceitas e praticadas por ele. (cita inclusive o “imperativo categórico” de Kant). Deixa claro também a interdependência do livro “Genealogia da moral” ao “Humano, demasiado humano”; nas palavras de Nietzsche:

Meus pensamentos sobre a procedência de nossos preconceitos morais - pois disso se trata neste escrito polêmico - receberam sua primeira, parcimoniosa e provisória expressão naquela coletânea de aforismos que leva o título Humano, Demasiado Humano. (...)  Eram, no principal, já os mesmos pensamentos que retomo nas presentes dissertações: - esperamos que o longo intervalo lhes tenha feito bem, que eles se tenham tornado mais maduros, mais claros, mais fortes, mais perfeitos!”

Nesse prelúdio, vemos um Nietzsche que, em infância, se atrelou à moral teológica; e fez dela, a posteriori, objeto de estudo e descrédito. Mais adiante, o filósofo abandona a busca pelo mal em Deus e vira-se para a moral mundana, aquela angariada nas vísceras da civilização branca-cristã-ocidental:

“Felizmente aprendi a tempo a separar o preconceito teológico do moral, e não procurei mais a origem do mal atrás do mundo. Algo de escolaridade histórica e filológica, inclusive um inato sentido seletivo em vista de questões psicológicas em geral, transmudou em breve meu problema neste outro: sob que condições inventou-se o homem aqueles juízos de valor, bom e mau? e que valor têm eles mesmos? Obstruíram ou favoreceram até agora o prosperar da humanidade? São um signo de estado de indigência, de empobrecimento, de degeneração da vida? Ou, inversamente, denuncia-se neles a plenitude, a força, a vontade de vida, seu ânimo, sua confiança, seu futuro?”

Ainda nesta introdução ao leitor, Nietzsche delimita ainda mais seu tema, excluindo a repugnância mundana de seu mestre, Schopenhauer. (Pois como “mestre”, ele trata Schopenhauer); depositando-o no mesmo banco dos réus de  filósofos como Platão, Spinoza, La Rochefoucauld, Kant e, por extensão, toda a mentalidade moral européia de compaixão, como se vê nessas linhas:

Mas precisamente contra esses instintos manifestava-se em mim uma desconfiança cada vez mais radical, um ceticismo cada vez mais profundo! Precisamente nisso enxerguei o grande perigo para a humanidade, sua mais sublime sedução e tentação - a quê? ao nada? -; precisamente nisso enxerguei o começo do fim, o ponto morto, o cansaço que olha para trás, a vontade que se volta contra a vida, a última doença anunciando-se terna e melancólica: eu compreendi a moral da compaixão, cada vez mais se alastrando, capturando e tornando doentes até mesmo os filósofos, como o mais inquietante sintoma dessa nossa inquietante cultura européia; como o seu caminho sinuoso em direção a um novo budismo? a um budismo europeu? a um - niilismo?... Pois essa moderna preferência e superestimação da compaixão por parte dos filósofos é algo novo: justamente sobre o não-valor da compaixão os filósofos estavam até agora de acordo. Menciono apenas Platão, Spinoza, La Rochefoucauld e Kant, quatro espíritos tão diversos quanto possível um do outro, mas unânimes em um ponto: na pouca estima da compaixão.”

Nietzsche abre sua primeira dissertação admoestando os dissecadores da genealogia da moral de sua época: os psicólogos. À explicação deles da gênese do “bom”, ― conceito nasceria dos atos não egoístas que os homens faziam aos outros, e esses últimos pronunciaram como bons e, sentindo a utilidade nesses atos, amalgamaram no tempo, o “bom” ao “não egoísta”, ao “útil”. Nietzsche substitui esse entendimento pelo de que o “bom”, ou seja, o homem superior, aristocrático, e poderoso, grafou seus próprios atos como “bons”, em contraposição a tudo que era baixo, fraco, e plebeu. E a utilidade não era “útil” por estar vinculada ao ato em si, mas era antes de tudo, pressuposto lógico.

A idéia etimológica de um “bom” não egoístico em oposição ao “mau” egoístico nasceu em seguida com o declínio do poder aristocrático e sua moral. Primordialmente, o “bom” foi o signo lingüístico de distinção entre o forte e nobre, e o “mau”,  não existia como tal. Havia sim o “ruim” como signo da plebe. Trata-se portanto de oposição entre “bom”-forte e “ruim”-fraco.

Como a utilidade esteve sempre presente, e ainda hoje o é tão vívido, Nietzsche se pergunta como pode o homem se olvidar, ou não conhecer os ruídos do “bom” primordial? Na resposta Nietzsche refuta parcialmente a explicação do filósofo Spencer que crê no “bom” não somente ligado umbilicalmente ao “útil”; mas como sinônimo. O autor encontra então a solução nos significados da palavra em diversas línguas; Nietzsche diz:

(...)que significam exatamente, do ponto de vista etimológico, as designações para "bom" cunhadas pelas diversas línguas? Descobri então que todas elas remetem à mesma transformação conceitual - que, em toda parte, "nobre", "aristocrático", no sentido social, é o conceito básico a partir do qual necessariamente se desenvolveu "bom", no sentido de "espiritualmente nobre", "aristocrático", de "espiritualmente bem-nascido", "espiritualmente privilegiado": um desenvolvimento que sempre corre paralelo àquele outro que faz "plebeu", "comum", "baixo" transmutar-se finalmente em "ruim". O exemplo mais eloqüente deste último é o próprio termo alemão schlecht [ruim], o qual é idêntico a schlicht [simples] - confira-se schlechtweg, schlechterdings [ambos "simplesmente"] - e originalmente designava o homem simples, comum, ainda sem olhar depreciativo, apenas em oposição ao nobre.”

Nietzsche desdobra exemplos na fronte do leitor. O termo “bom” passar a existir como significado de nobre entre as línguas indo-européias, como  o termo “arya” do iraniano; e do mesmo modo no eslavo antigo; e no grego, que por sua vez, a palavra correspondente significava o homem de caráter “verdadeiro”, em contrapartida, do “mentiroso”, ou a plebe. Mais tarde, com a queda da aristocracia grega, o vocábulo ganha o significado de nobre espiritual; “doce e madura”, perdendo boa parte de sua lembrança cultural guerreira. Quanto ao exemplo latino dado por Nietzsche, prefiro, por censura externa, citar o próprio autor, pois os mortos não responderão a processos, mas vivos sim:

O latim malus (ao qual relaciono µ [negro]) poderia caracterizar o homem comum como homem de pele escura, sobretudo como de cabelos negros ("hic Níger est-"), como habitante pré-aria no do território da Itália, que através da cor se distinguia claramente da raça loura, ariana, dos conquistadores tornados senhores; ao menos o gaélico me oferece um caso correspondente - fin (por exemplo, no nome Fin-Gal5), o termo distintivo da nobreza, por fim do homem bom, nobre, puro, originalmente o homem louro, em contraposição aos nativos de pele escura e cabelos negros. Os celtas, diga-se de passagem, eram sem dúvida uma raça loura; comete-se um erro, associando aquelas faixas de uma população de cabelos escuros essencialmente, que se fazem visíveis nos mais cuidadosos mapas etnográficos da Alemanha, a alguma origem ou mistura sanguínea céltica, como ainda faz Virchow6: nesses lugares aparece a população pré-ariana da Alemanha. (O mesmo é válido praticamente para toda a Europa: no essencial, a raça submetida terminou por reaver a preponderância, na cor, na forma curta do crânio, talvez até mesmo nos instintos sociais e intelectuais: quem nos garante que a moderna democracia, o ainda mais moderno anarquismo, e sobretudo essa inclinação pela "commune", pela mais primitiva forma social, que é hoje comum a todos os socialistas da Europa, não signifique principalmente um gigantesco atavismo - e que a raça de conquistadores e senhores, a dos arianos, não esteja sucumbindo também fisiologicamente?...) Acredito poder interpretar o latim bonus como "o guerreiro", desde que esteja certo ao derivar bonus de um mais antigo duonus(compare-se belum= duelum= duen-lum, no qual me parece conservado o duonus). Bonus, portanto, como homem da disputa, da dissensão (duo), como o guerreiro: percebe-se o que na Roma antiga constituía a "bondade" de um homem. Mesmo o nosso alemão Gut [bom]: não significaria "o divino" [den Göttlichen], o homem "de linhagem divina" [göttlichen Geschlechts]? E não seria idêntico ao nome do povo (originalmente da nobreza), os godos [Goten]? Os motivos para esta suposição não cabem aqui.”

Nessa linha, Nietzsche nos traz um adendo importante. Diante da mutação de valor impetrado ao termo “bom”, ele ganha uma preferência entre os sacerdotes que, em sua indigência de estarem avalizados, tomam para si esse termo, levando em seu rebanho, toda a plebe igualmente ressentida. Brota uma “guerra” entre os guerreiros e sacerdotes pela propriedade do signo e do valor do “bom”. Enquanto os primeiros primavam pela “guerra, aventura, caça, dança, torneios e tudo o que envolve uma atividade robusta, livre, contente” ; os segundos primam pelo oposto.

A partir deste momento, Nietzsche tece uma teia de ligações e distorções que; ― primeiro os sacerdotes judeus e seu maior ícone: Jesus Cristo, depois os seus seguidores: os cristãos ―; cometeram no mundo ocidental. Explora o fundamento “ressentimento”. Este seria o marco inicial da vil reação do plebeu ao nobre. Enquanto os fortes se afirmam em suas ações como forte, belo, poderoso; os fracos rebelam-se contra o que está fora deles. São invejosos, e destilam todo o ódio dos ressentidos aos fortes. Não são capazes de se garantirem, mas de ressentir-se dos que se afirmam. O forte faz o bem, e por fazê-lo, é forte; é feliz; é bondoso; é “bom”-nobre, ou seja, é forte! O ressentido é para o “bom”, o homem “ruim” e não o “mau” como viera a rotular os ressentidos, aos “bons” quando de sua ascensão. Como “ruins”, fracos, infelizes, plebeus; para o “bom”, eles são o baixo que não pode, nem o é, “mau”; é tão somente, plebe, baixeza.

E é nesse contexto; neste campo que gladiam as duas morais. E do lado guerreiro, as palavras de Nietzsche:

“Ali desfrutam a liberdade de toda coerção social, na selva se recobram da tensão trazida por um longo cerceamento e confinamento na paz da comunidade, retornam à inocente consciência dos animais de rapina, como jubilosos monstros que deixam atrás de si, com ânimo elevado e equilíbrio interior, uma sucessão horrenda de assassínios, incêndios, violações e torturas, como se tudo não passasse de brincadeira de estudantes, convencidos de que mais uma vez os poetas muito terão para cantar e louvar. Na raiz de todas as raças nobres é difícil não reconhecer o animal de rapina, a magnífica besta loura que vagueia ávida de espólios e vitórias; de quando em quando este cerne oculto necessita desafogo, o animal tem que sair fora tem que voltar à selva - nobreza romana, árabe, germânica, japonesa, heróis homéricos, vikings escandinavos: nesta necessidade todos se assemelham. Foram as raças nobres que deixaram na sua esteira a noção de "bárbaro", em toda parte aonde foram; mesmo em sua cultura mais elevada se revela consciência e até mesmo orgulho disso (como quando Péricles diz a seus atenienses, naquela famosa oração fúnebre, que "em toda terra e em todo mar a nossa audácia abriu caminho, erguendo para si monumentos imperecíveis no bem e no mal"). Esta "audácia" das raças nobres, a maneira louca, absurda, repentina como se manifesta, o elemento incalculável, improvável, de suas empresas - Péricles destaca elogiosamente a despreocupação dos atenienses, sua indiferença e seu desprezo por segurança, corpo, vida, bem-estar, sua terrível jovialidade e intensidade do prazer no destruir, nas volúpias da vitória e da crueldade para aqueles que sofriam com isso, tudo se juntava na imagem do "bárbaro", do "inimigo mau", como o

"godo", o "vândalo". A profunda, gélida desconfiança que o alemão desperta quando alcança o poder, agora novamente é uma ressonância daquele horror inextinguível com que durante séculos a Europa contemplou a fúria da besta loura germânica (embora mal exista uma relação conceitual, menos ainda sanguínea, entre os antigos germanos e nós, alemães). Certa vez chamei a atenção para o embaraço de Hesíodo, quando imaginou a sucessão das eras de cultura e buscou expressá-la em termos de Ouro, Prata e Bronze: com a contradição que lhe oferecia o mundo de Homero, esplêndido, mas também terrível e violento, ele não soube lidar senão dividindo uma era em duas, e tornando-as sucessivas - primeiro a idade dos heróis e semideuses de Tróia e Tebas, tal como aquele mundo ficara na lembrança das linhagens nobres que nele tinham seus antepassados; depois a idade de bronze, como aquele mesmo mundo se mostrava aos descendentes dos pisoteados, roubados, maltratados, arrastados, vendidos: uma era de bronze, como disse, dura, fria, cruel, sem consciência ou sentimento, a tudo esmagando e cobrindo de sangue. Supondo que fosse verdadeiro o que agora se crê como "verdade", ou seja, que o sentido de toda cultura é amestrar o animal de rapina "homem", reduzi-lo a um animal manso e civilizado, doméstico, então deveríamos sem dúvida tomar aqueles instintos de reação e ressentimento, com cujo auxílio foram finalmente liquidadas e vencidas as estirpes nobres e os seus ideais, como os autênticos instrumentos da cultura; com o que, no entanto, não se estaria dizendo que os seus portadores representem eles mesmos a cultura. O contrário é que seria não apenas provável - não! atualmente é palpável! Os portadores dos instintos depressores e sedentos de desforra, os descendentes de toda escravatura européia e não européia, de toda população pré-ariana especialmente eles representam o retrocesso da humanidade! Esses "instrumentos da cultura" são uma vergonha para o homem, e na verdade uma acusação, um argumento contrário à "cultura"! Pode-se ter completa razão, ao guardar temor e se manter em guarda contra a besta loura que há no fundo de toda raça nobre: mas quem não preferiria mil vezes temer, podendo ao mesmo tempo admirar, a não temer, mas não mais poder se livrar da visão asquerosa dos malogrados, atrofiados, amargurados, envenenados? E não é este o nosso destino? O que constitui hoje nossa aversão ao "homem"? - pois nós sofremos do homem, não há dúvida. - Não o temor; mas sim que não tenhamos mais o que temer no homem; que o verme "homem" ocupe o primeiro plano e se multiplique; que o "homem manso", o incuravelmente medíocre e insosso, já tenha aprendido a se perceber como apogeu e meta - que tenha mesmo um certo direito a assim sentir, na medida em que se perceba a distância do sem-número de malogrados, doentios, exaustos, consumidos, de que hoje a Europa começa a feder, portanto como algo ao menos relativamente logrado, ao menos capaz de vida, ao menos afirmador de vida...”

E a guerra é sentida como  perdida:

“Pois assim é: o apequenamento e nivelamento do homem europeu encerra nosso grande perigo, pois esta visão cansa... Hoje nada vemos que queira tornar-se maior, pressentimos que tudo desce, descende, torna-se mais ralo, mais plácido, prudente, manso, indiferente, medíocre, chinês, cristão - não há dúvida, o homem se torna cada vez "melhor"... E precisamente nisso está o destino fatal da Europa - junto com o temor do homem, perdemos também o amor a ele, a reverência15 por ele, a esperança em torno dele, e mesmo a vontade de que exista ele. A visão do homem agora cansa - o que é hoje o niilismo, se não isto? Estamos cansados do homem...”

O homem intenso que, em sua atuação sobre o mundo, demonstra altivez, ― e Nietzsche o associa à ave de rapina. O que esperar do homem forte e poderoso, senão força e poder? O que esperam os fracos? Esperam ser fortes. mas onde e quando? No mundo pós-vida? Que tipo de homens são esses que  transferem as realizações em vida a um pós-vida, senão os próprios fracos? São perguntas que Nietzsche em outras palavras nos faz.

Nas entranhas do ocidente, o homem meigo e pacificado achou seu banquete. Todo um prédio edificado sobre os pântanos dos ressentidos. Não me atrevo mais; desgrace Nietzsche!:

“Vamos concluir. Os dois valores contrapostos, "bom e ruim", "bom e mau", travaram na Terra uma luta terrível, milenar; e embora o segundo valor há muito predomine, ainda agora não faltam lugares em que a luta não foi decidida. Inclusive se poderia dizer que desde então ela foi levada incessantemente para o alto, com isto se aprofundando e se espiritualizando sempre mais: de modo que hoje não há talvez sinal mais decisivo de uma" natureza elevada", de uma natureza espiritual, do que estar dividida neste sentido e ser um verdadeiro campo de batalha para esses dois opostos. O dístico dessa luta, escrito em caracteres legíveis através de toda a história humana, é "Roma contra Judéia, Judéia contra Roma": - não houve, até agora, acontecimento maior do que essa luta, essa questão, essa oposição moral. Roma enxergou no judeu algo como a própria antinatureza, como que seu monstro antípoda; em Roma os judeus eram tidos por "culpados de ódio a todo o gênero humano": com razão, na medida em que se tenha razão ao vincular a salvação e o futuro do gênero humano ao primado absoluto dos valores aristocráticos, dos valores romanos. Quanto aos judeus, o que sentiam ante os romanos? Percebe-se por mil indícios; mas basta trazer à lembrança o Apocalipse de João, a mais selvagem das invectivas que a vingança tem na consciência. (Não se subestime, aliás, a profunda coerência do instinto cristão, quando associou precisamente esse livro do ódio ao nome do apóstolo do amor, o mesmo ao qual atribuiu aquele evangelho amoroso-altruísta -: há alguma verdade nisso, não obstante o muito de falsificação literária requerido para esse fim.) Pois os romanos eram os fortes e nobres, como jamais existiram mais fortes e nobres, e nem foram sonhados sequer: cada vestígio, cada inscrição deles encanta, se apenas se percebe o que escreve aquilo. Os judeus, ao contrário, foram o povo sacerdotal do ressentimento par excellence, possuído de um gênio moral-popular absolutamente sem igual: basta comparar os judeus com outros povos similarmente dotados, como os chineses ou os alemães, para sentir o que é de primeira e o que é de quinta ordem. Quem venceu temporariamente, Roma ou a Judéia? Mas não pode haver dúvida: considere-se diante de quem os homens se inclinam atualmente na própria Roma, como a quintessência dos mais altos valores - não só em Roma, mas em quase metade do mundo, em toda parte onde o homem foi ou quer ser domado -, diante de três judeus, como todos sabem, e de uma judia (Jesus de Nazaré, o pescador Pedro, o tapeceiro Paulo e a mãe do dito Jesus, de nome Maria). Isto é muito curioso: Roma sucumbiu, não há sombra de dúvida. É certo que na Renascença houve um esplêndido e inquietante redespertar do ideal clássico, do modo nobre de valoração das coisas: Roma se agitou como um morto aparente que é despertado, sob o peso da nova Roma judaizada sobre ela construída, que oferecia o aspecto de uma sinagoga ecumênica e se chamava "Igreja": mas logo triunfou de novo a Judéia, graças àquele movimento de ressentimento radicalmente plebeu (alemão ou inglês) a que chamam de Reforma, juntamente com o que dele tinha de resultar, a restauração da Igreja - a restauração também da velha paz sepulcral da Roma clássica. Em um sentido até mais profundo e decisivo, a Judéia conquistou com a Revolução Francesa mais uma vitória sobre o ideal clássico: a última nobreza política que havia na Europa, a da França dos séculos XVII e XVIII, pereceu sob os instintos populares do ressentimento - nunca se ouviu na terra júbilo maior, nem entusiasmo mais estridente! É verdade que em meio a tudo isso aconteceu o mais prodigioso, o mais inesperado: o antigo ideal mesmo apareceu em carne e osso, e com esplendor inusitado, ante os olhos e a consciência da humanidade - mais uma vez, em face da velha senha mentirosa do ressentimento, a do privilégio da maioria, diante da vontade de rebaixamento, de aviltamento, de nivelamento, de atraso e ocaso do homem, ecoou, forte, simples e insistente como nunca, a terrível e fascinante contra-senha do privilégio dos raros! Como uma última indicação do outro caminho surgiu Napoleão, o mais único e mais tardio dos homens, e com ele o problema encarnado do ideal nobre enquanto tal - considere-se que problema é este: Napoleão, esta síntese de inumano e sobre-humano...”

Por fim desta primeira dissertação do “Genealogia da moral”, Nietzsche oferece as perspectivas da guerra. Entende ele que ainda persiste diante das derrotas que os homens “bons” suportaram. Convoca ao debate e ao estudo da moral. Por meio desse estudo da origem e história da moral, possamos nos posicionar na peleja que perdura. 

02 Outubro 2008

A fanfarra das coturnos na capital do carnaval e do tráfico

As informações que nos vem da guerra da Guanabara são as piores. Como se não bastasse os “curralitos” eleitorais perpetrados pelos terroristas do tráfico aos apedeutas reprodutores, o exército que foi chamado a intervir com força, estabeleceu uma “paz armada” com os traficantes! A “paz armada” consiste em o exército e os guerrilheiros terroristas não trocarem tiros.

Ora, se não dão tiros, ― pelos meus conhecimentos escassos em tática e estratégia militar −, passo a conceber que igualmente não há ofensivas. Se não há ofensivas, não existe qualquer intenção em acabar com o poder dos terroristas de havaianas. Querem, tão somente, uma trégua junto a um inimigo mais forte. É o reconhecimento da fraqueza do Estado no combate aos criminosos. (Nada mais óbvio!).

É senhores..., nossos homens fardados sob a tutela de políticos borra-calças deviam fazer como os EUA praticam nas guerras contra os Muslins do oriente, contratar mercenários para reprimir verdadeiramente essa gente. Sei que Maquiavel estaria se contorcendo no túmulo, mas como tudo nesse país onde o Estado não tem competência para nada, o instrumento privado ainda nos parece ser a melhor opção.

Para ilustrar o ridículo da situação, os soldados ocuparam o morro do alemão com uma fanfarra tocando os hinos dos quatro maiores clubes de futebol do Estado. Entre lá-lá-lás e li-li-lis, traficantes sambavam e zombavam nas lajes enquanto soldados brasileiros, tão treinados em missões de paz, fizeram papel de palhaços batendo pratos, repiques, e surdos; soprando trompetes, tubas, trombas e trompetes. Sem contar, ― e já contando −, que a candidata marxista à prefeitura do Rio, Jandira, negou-se a entrar na favela Vila Cruzeiro por medo da presença do exército. Reparem que ela nada disse sobre traficantes terroristas, e sim sobre o exército. 

Como seus compadres ex-guerrilheiros da esquerda e os traficantes, ela também não gosta de gente fardada. Diz o provérbio popular que o criminoso(a) geralmente teme o tenente até mesmo quando não está com a mão na botija. (No caso do Rio, “temer” é completo exagero; a mão na botija nem tanto). 

Dale cidade perigosa!